A peça central desta série fotográfica é uma reinterpretação da Pietà um símbolo da dor, da perda e do luto.
Na minha versão, o papel da Virgem Maria é representado por um fantasma criado com lençóis brancos, e o de Cristo por uma figura feita de sacos do lixo. O fantasma é uma entidade simbólica. Pode representar Deus, a Terra ou uma força espiritual a lamentar a perda da humanidade que, como na versão original da Pietà, era seu “filho”. Os lençóis brancos trazem várias camadas de significado: simbolizam paz, pureza, espiritualidade, mas também ausência. São leves, flutuam, escondem e sugerem um corpo, mas não o revelam. A figura de lixo representa o que sobra da civilização: restos, poluição, materiais que não se degradam. É o nosso corpo simbólico no futuro. O “homem de lixo” foi feito com sacos cheios de resíduos reais, para dar-lhe um peso físico e metafórico. Ele é a imagem da humanidade morta não destruída por uma catástrofe, mas esquecida pela própria natureza que continuou sem nós. Foi esta fotografia que orientou o resto da série. Quando a criei, compreendi que tinha encontrado a minha voz artística dentro do tema da sustentabilidade.
O fantasma está no centro da imagem, envolvido por natureza morta e vestígios industriais. Há barris, destroços e materiais esquecidos no chão. Ao fundo, árvores secas e frágeis espreitam, como se observassem em silêncio a presença daquela figura etérea. A composição transmite um equilíbrio estranho entre abandono e observação como se a Terra estivesse a assistir, em luto silencioso, ao que restou de nós.
Aqui, o fantasma segura o corpo de lixo em cima de uma máquina pesada, posicionada à beira de um buraco profundo. Ao fundo, a natureza, misturada com torres industriais e sinais de exploração humana. É uma imagem de contraste: um momento sagrado e simbólico a acontecer sobre o próprio instrumento da destruição. A máquina é o altar da morte da humanidade e o fantasma, o único a chorar por ela.
Nesta imagem, a figura solitária está sobre a estrada, com uma casa de tons neutros ao fundo. O cenário é mais comum, mais próximo do quotidiano. O que era espiritual e simbólico torna-se aqui uma lembrança do real: o fantasma da humanidade continua a aparecer onde vivíamos, nos lugares normais, nas rotinas de sempre. É como se, mesmo depois de tudo, ainda pairássemos por aqui, a revisitar as nossas casas vazias.
Galeria
A peça central desta série fotográfica é uma reinterpretação da Pietà um símbolo da dor, da perda e do luto.
Na minha versão, o papel da Virgem Maria é representado por um fantasma criado com lençóis brancos, e o de Cristo por uma figura feita de sacos do lixo. O fantasma é uma entidade simbólica. Pode representar Deus, a Terra ou uma força espiritual a lamentar a perda da humanidade que, como na versão original da Pietà, era seu “filho”. Os lençóis brancos trazem várias camadas de significado: simbolizam paz, pureza, espiritualidade, mas também ausência. São leves, flutuam, escondem e sugerem um corpo, mas não o revelam. A figura de lixo representa o que sobra da civilização: restos, poluição, materiais que não se degradam. É o nosso corpo simbólico no futuro. O “homem de lixo” foi feito com sacos cheios de resíduos reais, para dar-lhe um peso físico e metafórico. Ele é a imagem da humanidade morta não destruída por uma catástrofe, mas esquecida pela própria natureza que continuou sem nós. Foi esta fotografia que orientou o resto da série. Quando a criei, compreendi que tinha encontrado a minha voz artística dentro do tema da sustentabilidade.
O fantasma está no centro da imagem, envolvido por natureza morta e vestígios industriais. Há barris, destroços e materiais esquecidos no chão. Ao fundo, árvores secas e frágeis espreitam, como se observassem em silêncio a presença daquela figura etérea. A composição transmite um equilíbrio estranho entre abandono e observação como se a Terra estivesse a assistir, em luto silencioso, ao que restou de nós.
Aqui, o fantasma segura o corpo de lixo em cima de uma máquina pesada, posicionada à beira de um buraco profundo. Ao fundo, a natureza, misturada com torres industriais e sinais de exploração humana. É uma imagem de contraste: um momento sagrado e simbólico a acontecer sobre o próprio instrumento da destruição. A máquina é o altar da morte da humanidade e o fantasma, o único a chorar por ela.
Nesta imagem, a figura solitária está sobre a estrada, com uma casa de tons neutros ao fundo. O cenário é mais comum, mais próximo do quotidiano. O que era espiritual e simbólico torna-se aqui uma lembrança do real: o fantasma da humanidade continua a aparecer onde vivíamos, nos lugares normais, nas rotinas de sempre. É como se, mesmo depois de tudo, ainda pairássemos por aqui, a revisitar as nossas casas vazias.
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