Um futuro quente e silencioso

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Um futuro quente e silencioso

Desde o início, quando pensei em fazer um trabalho sobre sustentabilidade, concentrei-me no seu significado mais profundo não apenas ecológico, mas também existencial. Pensei nas consequências do nosso modo de vida e imaginei uma das possibilidades mais extremas: a extinção do ser humano.

Decidi então construir uma narrativa visual baseada numa pergunta: como seria o mundo sem nós? Não o fim do planeta, mas a continuação da vida… sem a nossa presença.

Desde o princípio, sabia que seria um trabalho de fotografia. Fiz uma pesquisa intensiva de referências e imaginei como seria uma exposição sobre este tema. Reuni ideias de várias obras de diferentes suportes e media, para perceber como outros artistas abordavam o impacto humano. Ao longo desse processo, fui colecionando inspirações visuais, mas sem saber ainda qual seria a peça central do meu trabalho. A minha intenção era clara: não mostrar pessoas nas imagens. A presença humana seria apenas sugerida através de sombras, silhuetas, botas a deitar fumo, ou objetos esquecidos. Mas quando comecei a fotografar a imagem inspirada na Pietà, percebi que tinha encontrado o caminho. A partir daí, tudo se tornou mais coeso. A série ganhou forma com base nesse conceito: o desaparecimento do ser humano e o que deixamos para trás.

Para desenvolver este trabalho, escolhi fotografar num areeiro um espaço onde a argila e areia são extraídas, criando grandes buracos no solo. O local está marcado por contrastes: máquinas pesadas e natureza viva, lixo humano e elementos naturais. Essa dualidade foi essencial para transmitir a ideia de um mundo que continua após a extinção humana. É um sítio real, com marcas evidentes da intervenção humana, mas onde ainda existe vida. Utilizei uma câmara Canon, trabalhando sempre com luz natural para garantir autenticidade e ligação direta à realidade. A edição foi muito subtil, apenas para acentuar os tons quentes do local e remover discretamente a minha colega que me ajudou em todo o processo, tanto a posar sob os lençóis, dando vida ao fantasma, como a construir o corpo de lixo, feito com sacos reais e resíduos recolhidos. Todo o processo foi feito de forma consciente e manual, respeitando a estética do abandono e do silêncio que queria transmitir.

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Desde o início, quando pensei em fazer um trabalho sobre sustentabilidade, concentrei-me no seu significado mais profundo não apenas ecológico, mas também existencial. Pensei nas consequências do nosso modo de vida e imaginei uma das possibilidades mais extremas: a extinção do ser humano.

Decidi então construir uma narrativa visual baseada numa pergunta: como seria o mundo sem nós? Não o fim do planeta, mas a continuação da vida… sem a nossa presença.

Desde o princípio, sabia que seria um trabalho de fotografia. Fiz uma pesquisa intensiva de referências e imaginei como seria uma exposição sobre este tema. Reuni ideias de várias obras de diferentes suportes e media, para perceber como outros artistas abordavam o impacto humano. Ao longo desse processo, fui colecionando inspirações visuais, mas sem saber ainda qual seria a peça central do meu trabalho. A minha intenção era clara: não mostrar pessoas nas imagens. A presença humana seria apenas sugerida através de sombras, silhuetas, botas a deitar fumo, ou objetos esquecidos. Mas quando comecei a fotografar a imagem inspirada na Pietà, percebi que tinha encontrado o caminho. A partir daí, tudo se tornou mais coeso. A série ganhou forma com base nesse conceito: o desaparecimento do ser humano e o que deixamos para trás.

Para desenvolver este trabalho, escolhi fotografar num areeiro um espaço onde a argila e areia são extraídas, criando grandes buracos no solo. O local está marcado por contrastes: máquinas pesadas e natureza viva, lixo humano e elementos naturais. Essa dualidade foi essencial para transmitir a ideia de um mundo que continua após a extinção humana. É um sítio real, com marcas evidentes da intervenção humana, mas onde ainda existe vida. Utilizei uma câmara Canon, trabalhando sempre com luz natural para garantir autenticidade e ligação direta à realidade. A edição foi muito subtil, apenas para acentuar os tons quentes do local e remover discretamente a minha colega que me ajudou em todo o processo, tanto a posar sob os lençóis, dando vida ao fantasma, como a construir o corpo de lixo, feito com sacos reais e resíduos recolhidos. Todo o processo foi feito de forma consciente e manual, respeitando a estética do abandono e do silêncio que queria transmitir.

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